Missão dada, missão In Progress.

Como muitos de vocês, trabalho no lugar que tem uma cultura antiquada. Descobri em uma palestra do Danilo Fascio que minha empresa utiliza um processo que data de 1800, e ainda sem muitas melhorias. 

Uma das minhas funções é junto com a equipe, transformar e evoluir este modelo de trabalho. Não estou sozinho nessa busca, e que a cada dia percebo que mais pessoas procuram a mesma coisa, trabalhar mais colaborativa mente, ser mais transparente E mudar o foco de metas para objetivos.

O que percebi neste processo, é que essa é uma mudança muito mais pessoal do que corporativa. É sabido que a maior dificuldade para a transformação digital de uma empresa é a mudança mental de cada endivido, e aí que está o desafio.

Por isso escrevo estudo tanto sobre liderança, entendi que essa especialização tem impacto direto na mudança cultural é nosso objetivo promover. Mas não a liderança como ferramenta pessoal, mas sim como qualidade a ser implementada em cada pessoa da corporação. Percebi que só é possível evoluir fazendo com que todos se transformem em líderes dentro do seu espaço de realização.

No contexto de trabalho intelectual e criativo, é importante valorizar a intelectualidade e a criatividade. Pode parecer óbvio, mas o que acontece na estrutura atual é que pessoas são contratadas pela sua capacidade criativa e demandadas somente pela sua capacidade operacional, convertendo possíveis transformadores em operadores. Esse é o modelo industrial de trabalho aonde todos ficam em volta da mesma máquina, no mesmo momento, cada um desempenhando um papel para que no final um produto seja produzido.

Mas a verdade é que no trabalho do tipo intelectual, a sincronicidade não é tão importante quanto a colaboração, cada um é capaz de realizar algo valioso individualmente se tiver acesso ao conhecimento coletivo. Isso exige um desprendimento do modelo de divisão por especialidade, e a introdução do modelo de divisão por temas ou objetivos.

A maior mudança que pretendemos oferecer é sair do padrão da obediência em direção ao da realização. Trocar entregas por resultados. Essa transição acontece de cima pra baixo, a partir das camadas que demandam obediência. Assim volto ao começo do texto, o mais complicado é transformar as pessoas.

O Desafio

O desafio agora é descobrir formas positivas e perceptivelmente vantajosas de modificar o modelo de chefia para um modelo de liderança. Como disse Martin Danoesastro no seu TED Talk, é preciso abandonar culturas antigas para criar algo novo. Mas somente convencer não é o bastante, para uma transformação plena é preciso criar evangelizadores dessa cultura, e eles devem vir da gestão.

As camadas de gestão de uma corporação tradicional estão lá por um motivo, dentro do modelo adotado estes são os que se destacaram em performance através dos anos, existe um valor nisso tanto para corporação quanto para os funcionários que não deve ser ignorado. O valor construído cria um senso de identidade nas ações e é validade pelo comportamento geral. Desafiar esse valor é desafiar o senso de segurança que ele traz. Mas devemos.

Como chegar lá

Para chegarmos neste novo modelo aonde a informação é global e todos tem o poder da criatividade, essa camada gestora precisa movimentar a sua posição de demandante para viabilizador, focando mais em ajudar e eliminar impedimentos do que exatamente em criar iniciativas. Mas é muito difícil se desprender da ideia como forma de trabalho.

Minha teoria é que a ideia ficou super valorizada ao longo dos tempos porque quando poucos tinham a informação, somente estes conseguiam ter uma visão sistêmica da situação, então a eles cabia a responsabilidade de definir o próximo passo assumindo o risco e principalmente o bônus de ser a fonte inspiradora do sucesso através da ideia.

Mas hoje a informação está por todos os lados, pessoas não sabe mais como viver sem saber. As respostas estão quase sempre no Google a segundos de distância entre ter a dúvida e solucioná-la. Ficou impossível impedir a criatividade, portanto a ideia não é mais território exclusivo de quem tem acesso, porque todos tem acesso. E a partir dessa afirmação, também fica difícil aceitar que existem informações não alcançáveis, uma vez que as pessoas já se acostumaram a tomar decisões baseadas em dados.

Esse é o primeiro passo, aceitação. É importante abraçar a capacidade transformadora de cada um na empresa, disponibilizando as ferramentas informações necessárias para tomadas de decisão locais, nascidas em pequenos grupos, com objetivos bem específicos. A verdade é que qualquer um na corporação pode ter uma ideia, e quanto mais próximo do seu problema mais fácil é pra você escolher a melhor ideia.

Portanto essa busca começa pela resignificação do papel do gestor. Esse processo é um processo de elevação intelectual, aonde a pessoa entende que seu papel é estratégico, passa a saber a diferença entre o antes e o depois, exerce sua função com foco em produtividade. Essa não é uma mudança simples, principalmente porque muitos gestores já estou há muitos anos fazendo a mesma coisa e agindo do mesmo jeito, e acabam questionando sua eficiência quando poderiam estar questionando o caminho do seu produto.

Decidimos como estratégia de ação criar pequenas provas de conceito que incluem um produto, uma equipe, um gestor. Dessa forma temos como objetivo simular com sucesso o que seria o cenário ideal para empresa inteira, crescendo de modo lean e adaptando a rota ao longo do caminho. Nossos KPIs são percebidos através de pesquisas e a evolução do produto e nossos OKRs estão em constante mudança. Essa história começou há um ano, portanto está no início. Este texto fala do desafio, esperamos que os próximos venham para falar das vitórias.